Quantas vezes você já sentiu que deveria fazer algo, mas não fez? Quantas vezes você quis tanto algo, mas, por medo ou receio, desistiu?
Um padrão muito interessante - e que eu venho notando há algum tempo - é o quão constantemente estamos pedindo aprovação para qualquer ato que cometemos. Seja ele através de um like, de um retweet ou de um elogio, estamos sempre esperando que alguém valide nossas ações.
E é nessa validação que mora um perigo: quando não recebemos a tal aprovação, há o perigo de acharmos que o que estamos fazendo está errado.
Agora, você se pergunta: o que isso tem a ver com a Alexandria? Então: a Alexandria foi algo que estava comigo há um certo tempo e eu sempre esperava que alguém viesse e me ajudasse na implementação e ideação do projeto. E como ninguém aparecia, eu vivia com o receio, com a constante questão "E se?" e em nenhum momento me senti confiante para seguir em frente com a ideia.
Após a minha viagem (que aliás, mudou bastante a minha percepção da vida), eu não consegui mais conviver com essa dúvida e resolvi testar e colocar a ideia na rua. E agora você que está lendo saberá como tudo começou.
Fevereiro de 2013: onde tudo começou
A maioria das ideias que temos é pra resolver algum problema nosso ou um problema de outra pessoa. Se a sua ideia tenta resolver um problema e você sabe claramente qual problema quer resolver, já está no bom caminho.
A Alexandria surgiu pra resolver o problema que um amigo possuia: ele precisava emprestar um livro aparentemente dificílimo de encontrar. Note o emprestar. Ele, explicitamente, queria emprestar e não comprar o livro. E muito provavelmente o livro que ele queria estava na estante de alguém. A questão que veio em seguida foi bem simples: "Como conseguir emprestar esse livro de alguém?".
A primeira hipótese que surgiu foi a mais simplória: publicar um post no facebook, perguntando se alguém possuía o livro e se um empréstimo seria possível. Uma ação simples, sem riscos e todo mundo já fez. Mas, por um breve momento, nos perguntamos: "Existem tantos livros parados, sem leitura... O que fazer para tirá-los de lá?". Não vou descrever em detalhes, mas o que veio depois foi o conceito da Alexandria: para pedir algo, por que não compartilhar algo em troca? Por que não oferecer um livro em troca de um livro?
E foi a partir daí que tínhamos a certeza: a maior biblioteca do mundo somos nós. Ela já existe e está em nosso alcance.
A splash page
Foi uma questão de tempo para decidirmos o que fazer: primeiro, pensamos em como fazer um convite para que quem estivesse interessado pudesse se manifestar e segundo, em também perceber quantas pessoas realmente estavam interessadas na ideia.
O meu amigo (aqui dou o nome: Thiago Maia, grande amigo!) fez o layout em pouco mais de 30 minutos e eu usei o Launchrock pra construir a página. O launchrock não permite muitas personalizações, mas eu como programador optei por burlar vários dos impedimentos na unha. Fizemos tudo em praticamente uma noite e colocamos a splash page no ar para ver qual seria o feedback da nossa rede de amigos.
O resultado? Quase 700 pessoas em menos de 2 semanas. Por incrível que pareça, é um número razoável, considerando apenas a nossa rede de amigos próxima.
Após esse momento nós sabíamos: algo lindo vai nascer disso.
[...] continua
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